Origem da idéia do QI
O termo QI refere-se ao Quociente de Inteligência.
O psicólogo Francês Alfred
Binet foi um dos precursores do estudo da inteligência humana
e idealizou testes para medi-la e, com isso, tentar melhorar o desempenho
escolar das crianças. A inteligência humana, como outras características
físicas e psicológicas, tem grande variação
dentro dos indivíduos. É natural, portanto, que existam pessoas
mais, e menos, inteligentes. Conhecendo-se esta característica pode-se
acompanhar melhor cada criança (as mais e as menos inteligentes)
em sua vida acadêmica.
A idéia original do teste de QI de Binet seria comparar a idade
cronológica com a idade intelectual. Por comodidade definiu-se que
o QI médio sempre vale 100 pontos. Uma criança, digamos com
5 anos de idade, que apresentasse um QI de 120 teria, portanto, uma idade
intelectual 20% acima da inteligência média (das crianças
com 5 anos de idade), ou seja, esta criança teria uma idade intelectual
média equivalente à de uma criança de 6 anos de idade.
No caso de adultos, entretanto, faz muito pouco sentido dizer que uma
pessoa com idade de 40 anos tem a idade intelectual de um adulto de 48
anos. O número do QI, para adultos, passa a ser pouco significativo
e, em geral, é melhor classificar a inteligência em termos
de percentagem (ou porcentagem, ou percentil). Assim é mais objetivo
dizer que uma pessoa tem uma inteligência maior do que, por exemplo,
98% da população (ou seja, a inteligência desta pessoa
está entre os 2% mais inteligentes da população) do
que dizer que o QI é, por exemplo, 148. Toda a discussão
sobre o QI que segue refere-se ao QI adulto.
Matemática do QI
Acredita-se que a distribuição de QI, na população,
tenha uma função densidade de probabilidade normal. A distribuição
normal, muito utilizada na estatística, necessita, matematicamente,
de dois parâmetros para a sua completa caracterização:
a média e o desvio padrão. Por convenção, como
já comentado, a média vale 100 (sempre). O desvio padrão
(normalmente citado simplesmente como desvio ou, ainda, d.p.) mede a dispersão
dos valores em torno da média. Para "converter" um QI
em uma porcentagem (ou vice-versa) é sempre necessário que
se conheça o desvio. Não tem sentido falar em QI (numérico)
sem citar, também, qual desvio padrão está sendo utilizado.
Há diversos testes de QI e cada um deles foi calibrado (empiricamente)
para um valor de desvio padrão (a média, entretanto, permanece
sempre com o valor 100). Há, por exemplo, testes famosos com desvios
de 15, 16 e 24. Note que há muita diferença entre estes desvios
e, conseqüentemente, a conversão entre QI e percentagem é
bastante diferente em cada caso. O QI informado pela Mensa, no resultado
de seus testes, tem desvio 24. Uma pessoa com QI topo 2% pode ter
um QI numérico maior ou igual a 130 (d.p. 15), 132 (d.p. 16) ou
149 (d.p. 24).
As figuras seguintes ilustram a distribuição de QI com
os três desvios citados.

Distribuição Normal do QI para três
desvios

Distribuição normal acumulada do QI para
três desvios
Alguns Exemplos Numéricos
A tabela seguinte ilustra o número de desvios à frente
da média 100 (Desvios), o QI numérico (para desvios 15 e
24), qual a percentagem da população tem um QI menor (Inteligência),
qual a percentagem da população tem um QI maior ou igual
(Topo), quantos Brasileiros têm um QI maior (admitindo 170 milhões
de habitantes) e qual a raridade daquele QI (qual o tamanho do grupo para
conter uma pessoa com um QI maior ou igual).
| Desvios |
QI (d.p. 15) |
QI (d.p. 24) |
Inteligência (%) |
Topo (%) |
Brasileiros |
Raridade |
| 0 |
100 |
100 |
50.0000000 |
50.0000000 |
85,000,000 |
2 |
| 1 |
115 |
124 |
84.1344740 |
15.8655260 |
26,971,394 |
6 |
| 2 |
130 |
148 |
97.7249938 |
2.2750062 |
3,867,511 |
44 |
| 3 |
145 |
172 |
99.8650033 |
0.1349967 |
229,494 |
741 |
| 4 |
160 |
196 |
99.9968314 |
0.0031686 |
5,387 |
31,560 |
| 5 |
175 |
220 |
99.9999713 |
0.0000287 |
49 |
3,483,046 |
| 6 |
190 |
244 |
99.9999999 |
0.0000001 |
0 |
1,009,976,718 |
As tabelas seguintes ilustram os QI's com diferentes desvios e a correspondência
com a percentagem. Todas as tabelas foram construídas com o auxílio
do programa Excel da Microsoft utilizando as funções Dist.Norm()
e Inv.Norm() (algumas pequenas discrepâncias numéricas
podem ser, infelizmente, observadas).
| QI (d.p. 24) |
Topo (%) |
| 100 |
50.0 |
| 110 |
33.8 |
| 120 |
20.2 |
| 130 |
10.6 |
| 140 |
4.8 |
| 148 |
2.3 |
| 150 |
1.9 |
| 160 |
0.6 |
| 164 |
0.4 |
| 168 |
0.23 |
| 170 |
0.18 |
| 180 |
0.04 |
| 190 |
0.01 |
| 200 |
0.002 |
| 210 |
0.0002 |
| 220 |
0.00003 |
|
| Topo (%) |
QI (d.p. 15) |
QI (d.p. 24) |
| 20 |
113 |
120 |
| 15 |
116 |
125 |
| 10 |
119 |
131 |
| 9 |
120 |
132 |
| 8 |
121 |
134 |
| 7 |
122 |
135 |
| 6 |
123 |
137 |
| 5 |
125 |
139 |
| 4 |
126 |
142 |
| 3 |
128 |
145 |
| 2 |
131 |
149 |
| 1 |
135 |
156 |
| 0.1 |
146 |
174 |
| 0.01 |
156 |
189 |
| 0.001 |
164 |
202 |
| 0.0001 |
172 |
214 |
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Resumindo
O QI tem significado distinto quando se refere a um adulto ou a uma
criança. Acredita-se que a distribuição de QI na população
tenha distribuição normal (com média 100 e desvio
padrão dependendo do tipo de teste). Há inúmeros testes
de QI (tanto para adultos quanto para crianças). Quando se informa
um QI numérico é fundamental dizer, também, qual é
o desvio padrão utilizado. A informação do QI numérico
sem o desvio padrão utilizado é inútil. Mais significativo
do que informar o QI numérico (com o desvio padrão) é
informá-lo em termos de percentagem. O critério de admissão
para a Mensa é ter um QI topo 2%. O QI numérico informado
pela Mensa utiliza desvio padrão 24 (o QI numérico mínimo
para ingressar na Mensa é, portanto, 148).
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